sábado, 7 de dezembro de 2013

Wall Street e a Revolução Bolchevique

O cartoon de Minor, datado de 1911, retrata um barbudo, um radiante Karl Marx em pé na Wall Street, com um livro Socialismo debaixo do braço e aceitando os parabéns de famosos financistas como J.P. Morgan, Morgan parceiro de George W Perkins, um presunçoso John D. Rockfeller, John D. Rayan do National City Bank e Teddy Roosevelt - facilmente indentificado pelos seus famoso dentes - em segundo plano. Wall Street está decorada com bandeiras vermelhas. A multidão está aplaudindo e os chapéus sugerem que Karl Marx deve ter sido um companheiro bastante popular no distrito financial de Nova York.

Estava Robert Minor sonhando? Ao contrário, veremos que Minor estava em terra firme ao descrever uma aliança entusiástica entre Wall Street e o Socialismo Marxista. Os personagens do desenho de Minor - Karl Marx (simbolizando os futuros revolucionários Lenin e Trotsky), JP Morgan, John D. Rockefeller - e de fato, o próprio Robert Minor, também são personagens de destaque neste livro.

As contradições sugeridas pelo cartoon de Minor foram varridas para baixo do tapete da história, porque ele não se encaixa no espectro conceitual aceito da esquerda política e direita política. Bolcheviques estão na extremidade esquerda do espectro político e financistas de Wall Street estão na extremidade direita e, portanto, nós ao raciocinar implicitamente, pensamos que os dois grupos não têm nada em comum e qualquer aliança entre os dois é um absurdo. Fatores contrários a este arranjo conceitual puro geralmente são rejeitados como observações bizarras ou erros desafortunados. A história moderna possui uma dualidade embutida e, certamente, muitos fatos desagradáveis tem sido rejeitados e varridos para baixo do tapete.

Por outro lado, pode-se observar que tanto a extrema direita e a extrema esquerda do espectro político convencional são absolutamente coletivista. O nacional socialista (por exemplo, o fascista) e o socialista internacional (por exemplo, o comunista), ambos recomendariam sistemas político-econômicos totalitários que se baseiem poder político irrestrito e coerção individual. Ambos sistemas exigem o controle monopolista da sociedade. Enquanto o controle monopolista das industrias já tinha sido outrora o objetivo de J.P. Morgan e J. D. Rockefeller, no final do século XIX, o "santuário" interno da Wall Street compreendeu que a forma mais eficiente para obter um monopólio incontestável foi "se politizar" e fazer com que a sociedade trabalhe para os monopolistas - sob o nome do bem público e do interesse público. Esta estratégia foi detalhada em 1906 por Frederick C. Howe em sua obra "Confissões de um Monopolista".

Portanto, uma forma alternativa conceitual de agrupar as ideias políticas e sistemas político-econômicos seria classificar o grau de liberdade individual versus o grau de controle político centralizado. De tal ponto de vista, o Welfare-State (Estado de bem-estar social) e o Socialismo estão no mesmo lado final do espectro. Daí vemos que as tentativas de controle monopolista da sociedade pode ter diferentes rótulos, embora possuam características comuns.


Consequentemente, uma barreira para uma melhor compreensão da história recente é a noção que todos os capitalistas são inimigos ferrenhos e inabaláveis de todos os marxistas e socialistas. Essa ideia errônea originou-se com Karl Marx e foi, sem dúvida, útil para seus propósitos. Na verdade, a ideia é um absurdo. Houve uma contínua, embora discreta, aliança entre os capitalistas internacionais e os socialistas revolucionários internacionais - para benefício mútuo. Esta aliança passou despercebida em grande parte porque os historiadores - com algumas notáveis exceções - possuem viés marxista inconsciente e estão, portanto, presos na impossibilidade de pensar que tal aliança exista. O leitor de mente aberta deve ter duas pistas em mente: os capitalistas monopolistas são inimigos ferrenhos dos empresários laissez-faire; e, dadas as deficiências do planejamento central socialista, o estado socialista totalitário é um mercado cativo perfeito para os capitalistas monopolistas, no caso de uma aliança possa ser feita com as figuras poderosas socialistas. Suponha - e é apenas uma hipótese neste momento - e se os capitalistas monopolistas americanos fossem capazes de reduzir a Russia socialista planejada para o status de uma colônia técnica cativa? Esta não seria uma extensão lógica internacionalista do século XX, dos monopólios ferroviários Morgan e os trustes de petróleo Rockefeller, do final do século XIX?

Do livro Wall Street and the Bolshevik Revolution por Anthony C. Sutton 

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